domingo, 7 de novembro de 2010

D.O.M.

Pessoas,


de quando em vez, a gente decide quebrar o cofrinho e nos proporcionar uma intensa experiência gastronômica. O escolhido foi o D.O.M., pelas razões óbvias: chef premiado, restaurante bem falado e um casal de amigos que topou a aventura.

O D.O.M. fica localizado na curta e sem saída rua Barão de Capanema, nos Jardins, em São Paulo. Se a rua não fosse mesmo tão pequena, seria difícil achar o D.O.M., tão discreta é sua fachada. Procure pelos manobreiros (R$15,00) dispostos logo aí e chegue.

Quando a porta, porém, se abre, a ruela sem graça é esquecida. Além dos dois imensos felinos de bronze junto à porta, fomos recebidos também pela hostess e pelo chef Alex Atala, sorridente e simpático dando boas vindas (até nos levou na cozinha pra uma foto). O salão é belíssimo, com um super lustre de cristal negro ao meio, e o serviço de mesa é impecável, cobrado na porcentagem de 12%.

As opções são o menu degustação, com 4 ou 8 amostras de pratos do cardápio, mais queijo e sobremesa (R$ 250,00 ou R$ 350,00 respectivamente), ou pedidos a la carte (entrada entre R$ 60,00 a 75,00; pratos entre R$ 110,00 a 130,00; sobremesas não lembro, mas a servida na nossa degustação custa quase R$ 30,00). 


Funciona assim: ou a mesa toda pede o menu degustação ou todo mundo pede a la carte. Optamos pelo menu degustação de 4 pratos (depois concluímos que deveríamos ter pedido o de 8 logo) e fomos questionados quanto às restrições alimentares de cada um. As restrições são individuais e as amostras da degustação são preparadas conforme as restrições de cada um. 


Quanto às bebidas, além do básico, têm sucos de coisas que me deixaram mega curiosa, como taberebá, bacuri e água de limão rosa com manjericão Tailandês, a carta de vinhos com o famoso Châteu Pétrus (R$ 12.000,00 ou R$ 18.000,00, dependendo da safra), champagne Bollinger (R$ 78,00 a taça, quase R$ 340,00 a garrafa), champagne Taittinger Rosé (R$ 72,00  a taça). Eu juro que vi um vinho chileno por R$ 78,00 a garrafa. Mas, como o Vinicius não viu,  é bem possível que existisse um outro dígito que me passou despercebido. 


No momento em que servem os pratos, os garçons explicam resumidamente a composição. Acho que notei pequenas diferenças entre a descrição do garçom e o cardápio. Nada grave que descaracterize o prato, então as descrição daqui são as do cardápio, ok?


As porções do menu degustação têm ótimas apresentações, mas são bem menores do que eu esperava. São realmente amostras, e devem ser comidas com calma e atenção para saborear a combinação oferecida. No fim, deu tudo certo, não saímos com fome e saímos satisfeitos. Sem falar que a lembrança daqueles sabores e aromas até hoje estão comigo. De todos os restaurante que já fui, foi o que menos comi e o que mais gostei.


Antes dele, foi servido o couvert, R$ 25,00: pasta de batata com alho (muito boa!), coalhada no azeite (não me surpreendeu, mas não como coalhada, então não tinha parâmetro) e pães (nada de especial).


Em seguida, serviram uma entrada, apesar de não estar descrito como parte da degustação. Para nós (sem restrições alimentares), palmito de pupunha fresco com vieiras regado com azeite de manjericão e molho coral, feito da própria vieira. A apresentação foi linda: numa peça que parecia uma pedra de ardósia, o laranjado molho coral em contraste com o verde da pedra, e acima a bela pequenina torre de pupunha e vieiras. O sabor delicioso: as vieiras e o pupunha deveriam se casar e o molho coral funcionaria como o "tchan" que toda boa relação deve ter. 





Para o casal amigo (com restrições alimentares de frutos do mar) foi servida uma salada de tomate pêra, salsinha lisa, beldroega, mini mussarela de búfala banhada com água de melancia.  A Pat afirmou que tinha manjericão. Infelizmente não provei. 


Depois, ostra empanada com sagu de tapioca marinado. Uau! Juro por Deus que essas bolinhas estouram na boca e a sensação é ótima. A ostra estava deliciosa e também tinha sabor de salmão ali (o garçom falou em ovas, deve ser de salmão) e a combinação de tudo é espetacular.






Pro casal amigo, arroz negro com salada verde de aspargos e brócolis banhado com leite quente de castanha do Pará. Esse prato estava lindo, pena que perdi a foto e a Pat adorou o arroz negro. Falou dele a noite toda.


Daí, chega uma raia na manteiga de garrafa com tomilho limão, brócolis, mandioquinha defumada e espuma de amendoim. Por parte: a espuma de amendoim é interessante, mas confesso que a textura de clara de neve não me encantou; a raia estava divina; a mandioquinha, e aqui posso falar com conhecimento de causa, foi a melhor que comi na vida! Mandioquinha defumada...hmmmm..tudo de bom! Tudo junto eu não sei explicar, mas que foi delicioso, foi.




Pro casal amigo, batata doce com creme de chimarrão e sal inglês. Provei o creme de chimarrão. Não gosto de chimarrão e achei o creme convidativo. Se você gosta de chimarrão, vai querer nadar naquele creme.


Depois, o mesmo para todos da mesa: fettuccine de palmito pupunha com molho carbonara. Super gostoso, bem leve, com textura simpática. Para quem não gosta de bacon, tipo eu,  o bacon do tipo moído salpicado no fettuccine dava um tempero ideal sem ser tão marcante como o bacon tradicional. Acho que esse prato seria melhor servido como entrada, fiquei com a impressão de que não tem cacife pra ser prato principal, sabe? 


Para finalizar a seqüencia de pratos, costelinha ao Malbec com mandioca e espuma do molho da própria carne com vinho tinto. Pra ser feliz, esqueça a etiqueta (o chef já foi punk, é todo tatuado e não vai se importar, ok?) e coma essa deliciosa costela com as mãos. Super demais. Nem como (ou comia?) porco, mas não quis diminuir o universo de opções, por isso não apresentei nenhuma restrição alimentar (apesar de ter várias). Ainda bem, ainda bem.....estava perfeita, perfeita. A mandioquinha é a mesma da defumada pela qual me apaixonei, e aqui veio servida tipo batata palha. O garçom disse que a mandioca era feita à Brás, se não me engano é um cozimento brando e longo, mas não tenho certeza. Essa espuma não me agradou: nem sabor, nem textura.





E chegou a hora do queijo. Primeiro, puseram pratos quentes na mesa, um pra cada. De repente, se aproxima o garçom com uma panelinha apoiada numa mesa e começa a manipular com duas colheres uma massa branca de forma artesanal, tipo assim:



Foto do google imagens. Fiquei tão encantada que não dava pra desviar a atenção.

E em seguida, deixa cair uma porção no prato. É o Aligot: um purê de batata com queijo minas fresco e gruyére. Simples e delicioso. Aqui e aqui tem como fazer. Se fizer, me chama que eu digo se tá bom :)


A sobremesa foi torta de castanha do Pará com sorvete de whisky (Jack Daniels), com calda de chocolate com sal e pimenta, curry polvilhado no prato e rúcula. Interessantíssima, em todas as partes e em conjunto. Tudo junto é um explosão de sabores bastante curiosa. Separadamente, super destaque para o sorvete de whisky, que verdadeiramente tinha o sabor do destilado, e a rúcula, que baixava a poeira levantada pelo chocolate com pimenta e o whisky. 



Com certeza absoluta quero voltar pra comer à la carte. Difícil vai ser escolher qual dos pratos. Observando o vai vem durante a estadia, garanto que os pratos não são pequenos. O filet com aligot era uma pratada de respeito: a carne tipo um cone alto (que salivo só de lembrar) e a quantidade de aligot também era farta (e o aligot é um alimento pesado). Passou também um atum ao gergilim, do tipo tostadinho por fora e cru por dentro, numa apresentação tão linda e farta que nem sei. E ainda tem a tal da mandioquinha defumada com a raia pra tirar meu sono. Vou ter que voltar lá umas 20 vezes. Ainda bem que não é em Brasília, senão não sossegaria enquanto não resolvesse o problema. Por outro lado, a vontade de ir ao Aquavit tá latejando!


As fotos não estão tão boas por causa da meia luz do restaurante e a falta de flash no celular. Porém, se você procurar no google por esses pratos, encontrará lindas fotos profissionais e até algumas receitas.


Vale cada centavo! Fui feliz no antes, no durante e no depois. Minhas lembranças são da melhor categoria.


Beijocas. Vanessa

11 comentários:

  1. Eu também gostei, mas me dei mal no prato principal, veio cupim com molho de pequi, eu não sou fã de comida goiana e pequi é do mal. Nem me ocorreu falar "Pequi" na hora das restrições.

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  2. Bem lembrado. Se um dia voltar lá, citarei o pequi nas restrições.

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  3. Putz! Mas faz tempo que vc foi? Não lembro de ter visto pequi no cardápio. Onde eu lembro que volta e meia aparece pequi é no menu do Aquavit. E lá é cardápio fechado, não sei se rola substituição... Mas, pequi é foda...

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  4. Não é lógico que vcs conheçam o 'D.O.M.' mas não conheçam ainda o 'Aquavit' - mas é bom que a vida não tenha lógica demais mesmo, e as coisas rolem...
    Voltando ao 'D.O.M.', tentem o menu executivo do almoço - pelo preço deve ser o melhor almoço de Sampa, o que não é pouco.

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  5. Que chiiiiiique, você, Vanessa! Foto com o Atala e tudo!!! Sou desesperada para provar o Aligot dele!!

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  6. Marcelo, eu tenho uma boa desculpa: ouço falar do Aquavit com um super chef há pouco tempo, talvez menos de 2 anos...então, tô maturando a ida :)

    Lulu, já sei!!!!! Manda o André fazer (nos links do post tem receita e tudo mais) e me chama. Te digo quando ficar igual, que tal?

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  7. Vanessa, estou há algum tempinho para comentar seus posts. Tanto esse quanto o de Orlando. São "serviços", rsss! Muito bons para o leitor. O de orlando inclusive passei para uma colega que embarcar agora em dezembro!
    Parabéns!

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  8. Obrigada, Flavinha!
    Fico feliz com o elogio e muito mais com a utilidade das informações.A idéia do blog é,além do registro de coisas boas da minha vida, compartilhar boas dicas e oportunidades.
    Beijocas e apareça sempre.
    Vanessa

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  9. Oi Van,
    Putz, deu água na boca!! Deve ter sido maravilhoso mesmo!! O Aquavit está de pé, hein...
    Todo mês tem caixinha pro aquavit.
    Bjos e saudades!!

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  10. Aline, tá super de pé!!!
    Beijocas.

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  11. A garrafa do champagne Bollinger no Coco Bambu é mais cara que no D.O.M.! Lá, algo em torno de R$ 340,00. Aqui, quase R$ 560,00! E ainda dizem que o D.O.M. é caro...hehehehehhe

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